13 setembro, 2013

Na era digital, privacidade virou coisa do passado


Internet-Privacy
Privacidade é uma palavra que parece não constar no dicionário do mundo mobile e da internet. Pelo menos ela não faz jus ao – antigo e porque não quase utópico –significado:
Privacidade é a habilidade de uma pessoa em controlar a exposição e a disponibilidade de informações acerca de si. Relaciona-se com a capacidade de existir na sociedade de forma anônima (inclusive pelo disfarce de um pseudônimo ou por uma identidade falsa).  Wikipédia
Privacidade não existe no mundo digital
Comprovações para mostrar que a privacidade está se tornando um sonho existem aos montes. Na última quarta-feira a jornalista Michele Catalano, que vive em Long Island, New York (EUA), recebeu a inesperada visita de seis agentes do FBI, que indagaram sua família – de classe média – com perguntas normalmente feitas a terroristas, como “De onde você é?”, “Onde nasceram seus pais?” e “Onde você trabalha?”.
O motivo? Ela e seu marido tinham comprado uma panela de pressão e uma mochila recentemente – ambas pela internet –, e seu filho, de 20 anos, havia lido muitas notícias sobre o atentado que ocorreu na Maratona de Boston, no dia 15 de abril, em que os terroristas fizeram uma bomba com uma panela de pressão e a esconderam dentro de uma mochila – a polícia nega a versão e alega que investigou a família devido a uma denúncia do ex-chefe do marido de Catalano.
No mundo mobile também há indícios disso, inclusive envolvendo o FBI. Uma matéria veiculada pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal relata que, de acordo com fontes anônimas, a polícia federal dos EUA tem como estratégia instalar malware em smartphones de pessoas suspeitas para rastreá-las, podendo acompanhar seus passos e até ativar o microfone e a câmera do aparelho, para obter áudio e imagem do local em que o suspeito se encontra.
No entanto, essa estratégia só é utilizada com pessoas sem alto conhecimento técnico, já que o FBI teme que alguém descubra como isso é feito e divulgue a nova arma dos agentes federais. Ainda é uma incógnita a quantidade de pessoas que já foram ‘estudadas’ dessa forma, se o malware é removido depois que as investigações terminam e quais outros tipos de gadgets eles podem utilizar para saber o que você está fazendo.
Por fim, um estudo feito pela Appthority revelou que 95% dos 100 aplicativos gratuitos mais baixados para Android e iOS têm alguma brecha de segurança – contra 78% dos pagos –, como rastrear a localização do usuário e ‘pegar’ contatos do aparelho, sem o consentimento do dono. No caso do rastreio de localização, isso acontece com 73% dos apps grátis e 43% dos pagos.
O estudo ainda mostra que os mais ‘perigosos’ são os games, responsáveis por 36% dos apps gratuitos de iOS e 43% de Android com alguma brecha de vazamento de informações. Dentre os pagos a porcentagem dessa categoria permanece alta: 52% e 38%, respectivamente. Aplicativos de redes sociais vêm abaixo, sendo 14% dos gratuitos de iOS e 11% do Android. Apps de música, comunicação e produtividade também aparecem na lista.
De acordo com o CEO da empresa de consultoria Quantum Media Holdings, Ari Zoldan, muita gente sequer imagina que isso acontece. “O telefone é algo muito pessoal para que as pessoas percebam que, quando baixam um aplicativo, algo pode ser retirado do aparelho”, afirma ele. Mas Zoldan justifica dizendo que muitas vezes problemas do tipo passam despercebidos durante os testes e só são detectados quando utilizados por uma grande quantidade de pessoas – quando muitas informações podem já ter sido vazadas.
Esse três casos só nos induzem a um pensamento: privacidade na era digital é utopia. Toda sua atividade online pode ser rastreada, tudo o que você digita, publica, lê ou faz em um aparelho como smartphone, tablet ou computador poderá um dia ser acessado por FBI, CIA, Interpol ou qualquer outra agência de investigação caso você esteja na mira deles e eles julguem isso necessário.
Agradeço ao Lucas, amigo e colaborador do seu micro seguro, pela referência a essa notícia.
Fonte: Baboo